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quarta-feira, 4 de março de 2009

uma verdade

é que eu gosto desse cinza. a agonia, o vazio, o barulho da chuva, a música que isso tudo se transforma, me atrai. eu me vejo no dia cinzento, não dá pra saber como que ele vai ser. daí chove tanto, de desabar o céu em lágrimas. quando pára, as vezes tão subtamente, fico com a sensação de que não poderia chover nunca mais, que caiu toda chuva que havia de cair. mas chove denovo, sempre tem mais pra chorar.
é que eu gosto do medo que eu sinto da solidão. eu gosto da sensação vazia-que-nunca-preenche que fica perto da barriga, lá dentro, que não dá pra tocar. daí embrulha tudo quando eu penso em quem nem é pra pensar. e tudo se transforma em chuva, sai tanto, sempre tem mais pra ficar.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

dai-me outra cor

"que não seja a do seu olhar, dai-me outro amor, que venha pra me perpetuar. dai-me outra cor, que não tenha o que eu quero enxergar, dai-me uma dor, que sirva para eu acordar! dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor."

"não sei, se esse samba vai dar certo, hesitante em seu acorde inquieto. vou rimando sambando e amando, pro meu samba nao cair em tango! não sei se os nossos jeitos vão se matar, se assubiu ou sabiá. não sei se o beijo que a gente vai dar, vai grudar de mansinho, ou se vai arrebentar as cordas do meu cavaquinho"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

pereba II

- a medida da minha dor nunca é a mesma, mesmo quando ela é causada pela mesma coisa, nunca nada é a mesma coisa, o tudo que é. sinto dor de nada e nem sei direito como passa.

pereba I

- a ferida tá aberta, agora, olhando pra ela, lembro da cicartiz mais bonita de todas que ela se transformou.

o sonho da noite passada

fez com que eu passasse o resto do dia pensando em você.
estávamos nós, no lugar-que-não-sei-onde e as cores daquele lugar foi o que mais me deixou assim, como eu estou agora. eram cores apaixonantes, cores que fizeram com que eu me sentisse, sei lá, como se eu fosse parte delas, como se nós fôssemos. a gente era um só: eu, você e as cores, que agora explodem em minha lembrança. mas não explodiram no sonho (embora eu acredite que ainda estou nele, por não ter parado de me sentir do mesmo jeito que eu sentia, na hora em que sonhava), estávamos nós, naquele lugar, não-fazendo-nada-e-fazendo-tudo-ao-mesmo-tempo. estávamos fazendo o nada, éramos o nada. como essa sensação é esquisita, esquisita e boa.
eu não lembro bem do nosso diálogo, louve diálogo, mas eu lembro de pouca coisa. lembro quando você disse mais ou menos assim:
- você demorou, era pra gente tá aqui antes, a culpa foi sua!
daí eu respondi:
- mas eu cheguei, num cheguei? eu tô aqui agora, na hora que era pra ser...
eu não sei bem se eu acordei nessa hora, nem sei bem se eu acordei. mas acontece é que eu não sei da hora, nem conheço esse lugar que é nós e as cores e, gosto tanto disso.
foi o sonho que me deixou assim, agora eu só quero vivê-lo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio."